Nova Bandeira Eletrônica Refscall para árbitro de futebol, modelo 2010.
 
10/09 07:45  -  Circular da CBF aos Árbitros

Oficio Circular n°042/2007-CA/CBF

Rio de Janeiro, 28 de agosto de 2007.

Do Presidente da Comissão de Arbitragem da CBF.

Aos Árbitros, Árbitros-Assistentes e Observadores da CBF.

 Assunto: Recomendações para efetivo cumprimento nas Séries A, B e C.

  Antes de passar as recomendações, venho à presença dos árbitros, árbitros-assistentes e observadores de arbitragem para agradecer o empenho demonstrado no turno inicial, bem como para externar mais uma vez o lamento pela ausência do Dr. Édson Rezende de Oliveira.

  Em conjunto com os companheiros de comissão – Prof. Paulo Jorge Alves/RJ, Prof. Luiz Cunha Martins/RS e Dr. Manoel Serapião Filho/BA – e após análise de todos os jogos das primeiras fases e os primeiros das fases atuais, das Séries A, B e C, chegamos à conclusão de que, apesar de o trabalho da arbitragem haver sido de bom nível, podemos e devemos melhorá-lo, pois potencial para tanto os senhores, sem sombra de dúvida, têm. Desse modo, solicitamos a máxima atenção para os pontos a serem destacados abaixo:

 
1 – Árbitros

ü       EXPULSAR todo jogador culpado por jogo brusco grave. (uso de força excessiva ou brutalidade contra adversário quando da disputa da bola, em especial desenvolvendo o denominado “carrinho” , ainda que de lado e de frente, porquanto por trás a jogada se desloca para o campo da violência, que, mais ainda, exige expulsão.

ü       EXPULSAR todo jogador que, na disputa da bola, for culpado por conduta violenta. A ação que caracteriza o jogo violente, quando praticada fora da disputa da bola passa a ser agressão, que, por igual, merece a indicada pena. Noto, ademais, que a punição igualmente se justifica quando o ato for praticado, inclusive por jogadores substitutos ou substituídos, contra outras pessoas que não jogadores.

ü       ADVERTIR com o cartão amarelo o jogador culpado de conduta anti-esportiva, como simular recebimento de faltas ou sofrimento de contusão; fazer gestos incompatíveis com fair play do desporto; reclamar da arbitragem, com gestos ou palavras; retardar o reinício de jogo, quer demorando para repor a bola em jogo, quer impedindo que o adversário o faça, quer atrasando a realização de substituição etc.

ü       No particular da simulação de recebimento de faltas, observo que a ação deve ser acintosa, clara, especialmente para “cavar” pênaltis, pois o atacante normalmente está mais desequilibrado do que o defensor, de modo que sua queda pode ser provocada por um simples contato físico. Assim, se a queda for antecedida de contato físico, a punição somente se justifica se o árbitro estiver absolutamente seguro de que houve simulação. Ademais, e por importantíssimo, ressalto que a dúvida do arbitro quanto a haver existido ou não pênalti jamais pode ser escondida por punição ao atacante que caiu, pois isso corresponderia a negar todo princípio de moralidade e imparcialidade que deve caracterizar as arbitragens.

ü       APLICAR o cartão com postura firme, mas respeitosa e sempre identificando o jogador infrator.

ü       TOMAR medidas disciplinares contra os funcionários oficiais das equipes (membros das comissões técnicas) que não se comportarem de forma correta. Ex.: Abandono da área técnica de forma sistemática e deliberada, reclamando com a arbitragem etc.

ü       ATUAR de forma preventiva, impedindo o “agarra-agarra” nas cobranças de tiros de canto e/ou de faltas/infrações. Dentro desta atuação preventiva, e sempre que possível, aproveitar a partida paralisada e antes da bola ser colocada em jogo para alertar os jogadores sobre tais procedimentos.

ü       ATENTAR para os lances de “bola na mão” (não intencional) e “mão na bola” (intencional). O árbitro que está ligado no jogo sente, perfeitamente, quando o lance é ou não acidental.

ü       ACRESCENTAR o tempo perdido com o mesmo critério nas duas partes de jogo.

ü       ATENTAR para a confecção dos relatórios, conferindo e relatando todas as ocorrências com absoluta fidelidade, o que, portanto, não pode ser feito apressadamente, mas com muita calma. Afinal, os relatórios do jogo são seu registro oficial.

ü       NÃO CONCEDER entrevistas ou dar declarações sobre lances de interpretação técnica e disciplinar do jogo. 

ü       NÃO UTILIZAR o telefone celular no vestiário durante o intervalo de jogo.

 

Além destas recomendações, exige-se, especificamente:

 

Autoridade – Não permitir que os jogadores desafiem a autoridade da arbitragem, punindo-os adequadamente, deste a simples advertência verbal até a expulsão. Os Jogadores que “cercam” os árbitros ou protestam com gestos, especialmente se repetitivos ou espalhafatosos devem ser advertidos com cartão amarelo, pois tal conduta é anti-esportiva.

 

Evitar reclamações e o "pedido” de cartão – Não tolerar que os jogadores “peçam” cartão amarelo para um adversário. A depender da forma de atuação, se insistente ou acintosa, os infratores devem ser punidos com cartão amarelo. A tolerância com tal atitude quebra a autoridade do árbitro.

 

Atentar para os "carrinhos”, braços e cotovelos – Entradas, como, por exemplo, os "carrinhos" envolvendo força excessiva e, assim, colocando em perigo a segurança de um adversário são consideradas faltas graves e merecedoras de punição com cartão vermelho, não importando se a entrada seja efetuada por trás, pela frente ou de lado. O mesmo se aplica quando cotovelos ou braços são usados como autênticas armas contra os adversários.

 

Não paralisar o jogo a todo momento – O árbitro não é "apitador de faltas", mas um profissional que tem o dever de cumprir as regras para que vença o melhor. Portanto, é irritante assistirmos a partidas com excessivo número de faltas marcadas. O grande árbitro deve estar sempre atento às simulações e às quedas constantes sem que tenha ocorrido uma falta ou infração. Ademais e principalmente, o árbitro deve se preocupar com a denominada “lei da vantagem”.

 

Fazer a leitura do jogo – O árbitro que apenas estiver em forma e que tenha pleno domínio (não apenas conhecimento) das regras do jogo não garante uma boa arbitragem. É preciso perceber como o jogo flui, o que lhe possibilita posicionar-se no lugar certo e no momento certo, a fim de que tome a devida decisão. Portanto, o árbitro precisa ter a capacidade de fazer a leitura do jogo para saber o desenvolvimento das jogadas.

 

Conhecer os estilos – O profissional atento conhece os diversos estilos de jogo e as táticas adotadas pelas equipes em suas partidas, assim como as características dos jogadores, permitindo a antecipação da forma como o jogo se desenrolará. Para que isto seja possível, deve ter pleno conhecimento sobre os atletas e, repito, as táticas adotadas. Por exemplo: a equipe que faz a chamada "linha burra", aquela que "marca por zona", etc.  devem fazer parte da preparação dos grandes árbitros e árbitros assistentes. 

 

Estar concentrado – A fase de concentração antecede ao dia do jogo (tema discutido exaustivamente nos encontros da Granja e Regionais). Portanto, é necessário que o árbitro evite exposição desnecessária, por meio de entrevistas, programas de televisão etc. nos dias que antecedem ao jogo, e principalmente em suas vésperas.

Regularidade – O bom árbitro não tem altos e baixos, ao contrário mantêm regularidade. Para tanto, respeitando suas características pessoais, deve traçar uma filosofia de trabalho e a ela manter-se fiel.

 

2 – Assistentes

 

ü       CONFERIR as redes antes e no intervalo dos jogos.

ü       FICAR sempre posicionado na altura (linha) do penúltimo defensor.

ü       FICAR sempre que possível, de frente para o campo de jogo.

ü       CONCENTRAR-SE em todas as jogadas e durante os 90 minutos de jogo.

ü       AUXILIAR o árbitro a controlar a partida. Em particular, podem entrar no campo de jogo e ajudar a controlar a distância de 9,15 m. (voltando o mais rápido possível para posição que o lance requerer).

ü       NÃO UTILIZAR o “spray”, pois este é de uso exclusivo dos árbitros.

ü       FORNECER informações precisas sobre casos de agressões, enfrentamento coletivo ou outros distúrbios, principalmente identificando os envolvidos, para o que deve estar atento, inclusive no ato da redação dos relatórios.

 

3 – Quarto Árbitro

  ü       CONFERIR com atenção a documentação dos jogadores e se número nas camisas está conforme ao descrito na relação dos jogadores.

ü       INFORMAR corretamente as equipes e ao árbitro sobre as cores dos uniformes.

ü       CUMPRIR o previsto no Art. 32, do RGC/CBF, que trata da divulgação da formação inicial das equipes com 45 minutos de antecedência para o início da partida.

ü       ANOTAR – obrigatoriamente – as ocorrências durante a partida e auxiliar o árbitro na confecção dos relatórios.

ü       FICAR sempre atento nas áreas técnicas e, também, no trabalho dos gandulas.

ü       FICAR de prontidão, em pé, sem, portanto, comportar-se como um espectador da partida.

 

4 – Observadores

  ü       ENCAMINHAR via postal (carta registrada), malote (Federações), ou, ainda, por e-mail, os relatórios com brevidade (no máximo 48 horas após a realização da partida), utilizando os modelos disponibilizados no site da CBF.

ü       ELABORAR um relatório circunstanciado, com aspectos positivos e a melhorar. A remessa da Ficha de Avaliação apenas com as notas ensejará afastamento das escalas.

ü       UTILIZAR o Manual do Observador para suas avaliações.

ü       INFORMAR com brevidade à presidência da CA-CBF se houver fato relevante ocorrido na partida observada.

ü       EVITAR orientar a equipe de arbitragem, a não ser quando solicitados. Obs.: Este trabalho é dos Instrutores da Subcomissão de Ensino e dos futuros Orientadores Estaduais.

ü       PREPARAR-SE para duas avaliações, sendo uma teórica e outra prática. É de suma importância que o analista de arbitragem tenha experiência e, principalmente, pleno domínio das regras do jogo.

 

Determinações Gerais à Equipe de Arbitragem

 

ü       ADQUIRIR passagens aéreas no menor preço possível (ler com atenção as resoluções números 006 e 007, do STJD).

ü       ENTRAR em contato com a presidência da CA-CBF se houver algum problema que possa atrasar a chegada ao local da partida.

ü       INFORMAR à CA-CBF qualquer visita recebida no vestiário.

ü       ATUALIZAR, sempre que houver alteração, seus dados cadastrais.

ü       NÃO USAR apitos e chuteiras de cores berrantes.

ü       VEDADO uso do celular no intervalo dos jogos.

 O descumprimento dessas determinações, além de poder ocasionar afastamento temporário do arbitro, exigirá sua reciclagem por meio de um instrutor indicado pela CA-CBF, que adotará as medidas comportáveis.

 Observações Finais

Quero registrar o apoio recebido do Dr. Ricardo Teixeira, presidente da CBF, que não tem medido esforços e atendido à CA-CBF na busca melhoria do segmento. Portanto, o resultado de um excelente trabalho no campo de jogo reforçará o projeto que estamos elaborando, que deverá alterar o rumo da arbitragem no Brasil e, em conseqüência, maiores benefícios serão alcançados.

 
Desde 2006, venho acompanhando e participando dos projetos do Dr. Édson. Portanto, tenho pleno conhecimento das orientações, da apresentação de lances de jogos na Granja Comary, para melhoria da qualidade, dos treinamentos práticos feitos pelos integrantes da subcomissão de ensino nos encontros regionais, etc. Assim, ao assumir interinamente a presidência, apenas exigirei o cumprimento dos ensinamentos ministrados e recomendações prestadas.

 
Relembrem e cumpram aquilo que foi apresentado na palestra "Aproximando Critérios", que estará disponibilizada no site da CBF, pois não podemos mais aceitar a passividade de alguns enquanto outros se esforçam para manter elevada a qualidade da arbitragem brasileira. Aos que se esforçam, a certeza de que continuarão nas previsões dos sorteios.

 
Novos talentos estão se apresentando. Portanto, fica o registro aos árbitros de que nunca é tão fácil perdermos quando nos julgamos conhecedores. 

Conclamamos, por fim, os companheiros a entrar para as partidas com:

 
VONTADE!

BUSCAR ESTÍMULO PARA REALIZAR A TAREFA. SEM ENTUSIASMO, NADA SERÁ BEM FEITO.

CORAGEM!
APLICAR AS REGRAS COM DESTEMOR, INDEPENDÊNCIA.

DISCIPLINA!

(NÃO ADMITIR QUE O BOM ATLETA SEJA IMPEDIDO DE JOGAR POR ADVERSÁRIOS QUE ATUAM BRUSCA OU VIOLENTAMENTE. O TALENTO DEVE SER PRESERVADO).

BOA SORTE. BOAS ARBITRAGENS. TEMOS CERTEZA DE QUE TRIUNFAREMOS. O GRUPO É BOM, É CAPAZ E ESTÁ, NA MEDIDA DO POSSÍVEL, RECEBENDO O DEVIDO APOIO.

Cordialmente,

SÉRGIO CORRÊA DA SILVA
PRESIDENTE INTERINO CA-CBF

Fonte: ANAF / CBF       Autor: CBF
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